Estava eu dirigindo pelas bandas de Massachusetts e tentava achar uma estação de rádio decente - coisa difícil em tempos de Sirius e iPod - quando me deparei com uma música em português claríssimo cuja as letras diziam coisas da estirpe de "O Senhor vai descer dos céus / e o inimigo exterminar / aleluia, que o fogo divino vai brilhar". Passado o choque inicial, tentei entender o que se passava - seria uma rádio desavisada tocando aquilo achando que era samba ou bossa nova? Seria um mega-sinal FM brasileiro perdido por aquelas bandas? Seria um sonho?
Eis que em seguida eles emendam outra música do gênero: "glória, glória / com o poder imbatível / satanás vai correr". E mais outra, mais outra (sim, eu me dei ao trabalho de continuar ouvindo)... No final das contas, era uma rádio evangélica brasileira, com programação em português, sediada em Boston. E fazia todo o sentido. Boston (e outros pontos de Massachusetts) abriga uma enorme colônia de brasileiros. Acho que metade de Governador Valadares se mudou para lá, por exemplo. Então nada mais óbvio do que a proliferação de igrejas onde existe uma grande parcela de imigrantes ilegais. É assim pra todo lado. Eu mesmo já passei por uma "Iglesia Universal del Reino de Dios" aqui em Manhattan.
Eis que continuo minha busca por uma estação de rádio e paro em outra quando ouço um familiar "ora ora, pois pois". O gajo que comandava o microfone disparava uma faladeira ininterrupta - e eu não conseguia entender nem 50% do que ele falava. Sim, uma rádio portuguesa com certeza. Além de brasileiros, existem muitos portugueses em Massachusetts.
Ê globalização!
Bem, a parte da alimentação está resolvida. Vamos então à outra atividade essencial à minha existência: futebol. Como sobreviver em um país em que futebol é um outro esporte, absolutamente esquisito e cuja as regras eu ainda não consegui entender com clareza?
Graças a Deus e a
Feijão é um capítulo à parte: tem preto, mulatinho, fava e o diabo a quatro. Enlatado, é verdade. Mas é muito bom, posso garantir. E tem mais: eu nunca tive panela de pressão desde que saí do aconchego da casa dos meus pais, portanto há muitos anos que não tenho feijão de verdade sendo feito em casa. Daí os da Goya serem o paraíso que são para mim.