Cheguei ao Warsaw semi-bêbado e ensopado. Explico:
Bêbado porque quando saía de casa descobri que o bar aqui ao lado - o já lendário Keybar (prometo escrever sobre ele em breve) - comemorava seu aniversário e tinha a singela plaquinha pendurada na porta: "3rd anniversary celebration! Open bar 8-10pm". Sim, as palavras mágicas estavam ali: "open bar". E isso quer dizer bebida liberada. Numa cidade em que uma cerveja custa em média uns $7, eu não poderia deixar passar essa. Além do mais, minha educação não me permitiria seguir viagem sem antes dar uma paradinha para parabenizar meu ilustre vizinho. Uns 3 pints de Carslberg depois dei, enfim, continuidade ao meu trajeto original.
E ensopado por conta da chuva torrencial que caía sobre o Brooklyn naquela noite de sexta-feira. Chuva que não parou de cair até agora, diga-se de passagem. E da estação do metrô até o Warsaw foram uns belos 15 minutos de caminhada.
Cheguei lá no meio do show do The Organ. O pouco que vi foi o suficiente para não gostar. Cinco meninas fazendo cara de "estamos entediadas" e um chororô sem fim. Aquele mesmo rockinho indie que não me convence: voz-de-quem-está-morrendo, tecladinhos, guitarras supostamente melódicas... tudo isso bebendo sem dó nem piedade dos anos 80 e sem um pingo de originalidade.
No intervalo, fui até o bar para tentar matar a fome e tive uma bela surpresa: o Warsaw serve refeições típicas polonesas! Salsichas, batata, pierogi (um tipo de massa recheada), chucrute etc. Qualquer prato por $5 - uma verdadeira pechincha para os padrões nova-iorquinos. Não poderia ser mais perfeito! E o fato de servirem comida típica polonesa num lugar chamado Warsaw não é mera jogada de marketing. A casa fica em uma área de imigrantes poloneses e faz parte de um complexo cultural chamado "Polish National Home".
Aliás, vale um parênteses aqui para falar sobre o Warsaw: é uma das melhores casas de shows que já fui aqui. Equipamento de primeira, bom espaço, boa acústica, boa refrigeração, bar sensacional, preços razoáveis. E isso sem falar no detalhes arquitetônicos: pé direito alto, detalhes no teto e nas colunas etc. Bacana mesmo! Vale à pena atravessar até Williamsburg para conferir.
Quando meu estômago já estava devidamente forrado e eu saboreava uma nova cerveja, o Radio 4 subiu ao palco para um show que eu aguardava com alguma ansiedade - basta dizer que Gotham! (2002) é figurinha fácil entre os mais tocados no meu iTunes. E devo dizer que eles corresponderam à expectativa, com um show agitado e deveras dançante. Se o último disco, Stealing of a Nation (2004), foi uma decepção, no palco eles continuam soando como aquela banda de 2002. O baixão funk, os riffs quebrados, a percussão ensandecida e as oportunas intervenções de teclado renderam um belo show. Destaque para "Calling All Enthusiasts" e "No Reaction".
Depois de muito atraso e uma série de problemas técnicos, o Raveonettes subiu ao palco. Havia explicação, no entanto: eles tiveram uma van com todo o seu equipamento roubado na manhã daquele dia, ali mesmo no Brooklyn. Preciosidades como uma Fender Jazzmaster de 1961 foram levadas pelo(s) gatuno(s).
Mas a banda não deixou a peteca cair e, de improviso, fez um belíssimo set acústico, tocando praticamente o último disco inteiro, Pretty in Black (2005), e mais algumas antigas. E devo dizer que a versão acústica caiu como uma luva para as músicas do disco novo - que é infinitamente mais suave e "limpo" que o anterior, Chain Gang of Love (2003). Músicas como "Sleepwalking", "Somewhere in Texas", "You Say You Lie" parecem ter sido feitas sob encomenda para um show mais, digamos, intimista como esse. Além disso, os vocais de Susan Rose Wagner e Sharin Foo soam tão perfeitos ao vivo quanto em estúdio e o entrosamento entre o restante da banda surpreende - mesmo tocando fora das condições ideais, eles fizeram um grande show.
Comparativamente, não ficou nada a dever ao show "plugged" que vi no ano passado - aqui mesmo em NY, na turnê do Chain Gang of Love. E, no final das contas, tive a oportunidade - única até então - de ver a banda fazer um set acústico. Não podia ter saído do Warsaw mais feliz. Que dizer, até poderia, se não aquela chuva torrencial não insistisse em cair.
Bem, a parte da alimentação está resolvida. Vamos então à outra atividade essencial à minha existência: futebol. Como sobreviver em um país em que futebol é um outro esporte, absolutamente esquisito e cuja as regras eu ainda não consegui entender com clareza?
Graças a Deus e a
Feijão é um capítulo à parte: tem preto, mulatinho, fava e o diabo a quatro. Enlatado, é verdade. Mas é muito bom, posso garantir. E tem mais: eu nunca tive panela de pressão desde que saí do aconchego da casa dos meus pais, portanto há muitos anos que não tenho feijão de verdade sendo feito em casa. Daí os da Goya serem o paraíso que são para mim.
Mas vamos ao que interessa:
A estação do metrô mais próxima de onde estou morando fica na 14th Street com 1st Avenue. É uma parada da
Já que falei de um filme, vou aproveitar o embalo para falar de outro tão bom quanto:
Você já ouviu falar das loucuras do